Acalmando os Pensamentos
È preciso tentar interromper, durante alguns instantes, o fluxo dos pensamentos. Sem alimentar os pensamentos passados, sem convocar os pensamentos futuros, a pessoa permanece, nem que seja brevemente, em um estado de vigilia no momento presente livre dos pensamentos discursivos. Pouco a pouco, ela se torna capaz de prolongar e de preservar essa vigilia.
Os Mestres diziam que enquanto as ondas agitam um lago, as águas permanecem turvas. Quando as ondas se acalmam, a lama se decanta e a água recupera a limpidez. De igual modo, quando os pensamentos discursivos se acalmam, o espírito se torna " limpido" e então fica mais fácil descobrir sua natureza.
Deter os pensamentos não é apenas bloqueá-los, mas simplesmente permanecer em estado de presença desperta, de limpidez, de conhecimento, no qual os pensamentos discursivos ficam apaziguados. Toda a roda dos pensamentos pára de girar e eles param de se ligar uns aos outros interminavelmente. Os pensamentos são como uma cachoeira e parecem até mais numerosos do que o comum - o que não significa que a quantidade tenha aumentado, mas simplesmente que a pessoa começou a se dar conta dessa quantidade. A etapa seguinte é comparada a um rio, cujo curso às vezes apresenta corredeiras e, outras vezes , trechos mais tranquilos. Essa etapa corresponde a um estado no qual o espírito permanece calmo, exceto se for estimulado pela percepção de acontecimentos externos.
Por fim, o espírito se torna como um oceano em tempo calmo: pensamentos discursivos intempestivos, percorrem ocasionalmente sua superficie, mas, no fundo, ele nunca é pertubado.
Desta forma, pode-se chegar a um estado, que se chama de " consciência clara", no qual o espírito está perfeitamente lúcido, sem ser constantemente arrastado pelos pensamentos discursivos.
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